terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

SOSSEGAI!


Mary Ann Baker, a autora deste lindo hino nasceu em 16 de setembro de 1831. A tuberculose ceifou a vida dos seus pais e deixou-a órfã em tenra idade. Moravam em Chicago com a irmã e o irmão. Esse, um moço de excepcionais qualidades de caráter, começou a sofrer efeitos desta terrível doença. Das suas escassas economias, as duas irmãs conseguiram recursos para que ele viajasse à Flórida, na esperança de que no clima mais ameno começasse a melhoria. Não lhes foi possível acompanha lo. Tudo em vão. Em poucas semanas o mal se agravou e o rapaz faleceu, longe do aconchego da família. Não havia dinheiro para as irmãs irem ao seu enterro, nem para transportar o seu corpo para Chicago. Mary escreveu sobre esta experiência assoladora:

"Embora nosso choro não fosse 'como outros que não têm esperança' e embora tivesse crido em Cristo desde menina e desejasse sempre viver uma vida consagrada e obediente, tornei me terrivelmente rebelde a esse desígnio da divina providência. Disse no meu coração que Deus não amava a mim, nem aos meus. Mas a própria voz do meu Mestre veio aclamar a tempestade no meu coração rebelde e me trouxe a calma de uma fé mais profunda e uma confiança mais perfeita."

Foi logo depois desta maçante experiência que o Dr. Horatio Palmer solicitou a Mary Ann o preparo de um grupo de hinos sobre os assuntos das lições da Escola Bíblica da sua igreja Batista. "Um dos temas era Cristo Acalmando a Tempestade. Esta lição expressou tão vividamente a minha experiência, que este hino foi o resultado"

Nas palavras da inigualável hinóloga Henriqueta "Rosinha" Braga, a experiência de Mary Ann não apenas permitiu lhe narrar com felicidade a passagem bíblica; mais do que isto, capacitou a à expressar a profunda fé na atuação do Mestre, quando estamos prestes a submergir nas dificuldades, tristezas e impasses em que a vida nos enreda.

Imediatamente, o próprio Dr. Palmer escreveu a música para o hino, que tem beneficiado a muitos com a sua mensagem de fé. Publicou-o na sua coletânea Songs of Love for the Bible School (Cânticos de Amor para a Escola Bíblica), em 1874.

Depois disto, Mary Ann se empenhou de corpo e alma à União de Mulheres Cristãs Pela Temperança. Neste ministério teve oportunidade de observar, bem de perto, o sofrimento de irmãs, esposas e mães de alcoólatras cujas vidas naufragaram pelo degradante vício de beber. Depois de chorar com muitas destas mulheres ao lado da sepultura destes seus entes queridos, ela testificou: "Tenho chegado a sentir gratidão pelas doces memórias do meu irmão. O caminho de Deus é o melhor".

Ao saber que seu hino também estava sendo uma grande benção em outros países. Mary Ann Baker disse: "Me surpreende muito que este humilde hino tenha atravessado os mares e sido cantado em terras bem distantes para a honra do nome do meu Salvador".

Este hino logo foi incluído em outras coletâneas, Nos Estados Unidos, tornou se tão amado que, em 1881, quando o Presidente Garfield foi baleado, ficou ente a vida e a morte, e finalmente morreu, este hino foi usado repetidamente em cultos em sua homenagem. Foi neste ano que a autora também faleceu.

Sankey incluiu este hino em Sacred Songs and Solos (Cânticos e Solos Sacros-1881), que o difundiu ao redor do mundo. Provavelmente foi deste hinário que o saudoso missionário William Edwin Entzminger o traduziu para o português em 1903 e o incluiu no Cantor Cristão. Esta bela tradução, muito fiel à letra original, fez com que o hino se tornasse um dos favoritos dos evangélicos brasileiros, também incluído em outros hinários, como nosso Hinário Evangélico.



SOSSEGAI!

1. Ó Mestre, o mar se revolta,

As ondas nos dão pavor!

O céu se reveste de trevas,

Não temos um salvador!

Não se Te dá que morramos?

Podes assim dormir?

Se a cada momento nos vemos

Já prestes a submergir!


CORO:

"À minha palavra obedecerão:

Sossegai!

O vento em fúria, o rijo mar,

Ou a ira dos homens, o gênio do mal,

Jamais poderão a nau tragar,

Que leva o Dono da terra e Céus!

Pois todos tem de obedecer:

Sossegai! Sossegai!

Por que haveríeis vós de temer?

Sossegai!"


2. Mestre, mui grande tristeza

Me quer hoje consumir;

A dor que perturba minh'alma, ?

Vem Mestre, me acudir!

De ondas do mal tão medonhas

Como me livrarei?

Só tu podes salvar me, ó Mestre

Vem, pois, meu Senhor, meu Rei!


3. Mestre, chegou a bonança,

Em paz eis o céu e o mar!

O meu coração goza calma

Que não poderá findar.

Detém te comigo, ó Mestre,

Excelso dom do Céu,

E assim chegarei bem seguro

Ao porto, destino meu!




segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

BENDITA A HORA DE ORAÇÃO

Letra: William W. Walfor

Música: William B. Bradbury

Este hino tem se tornado popular em todas as reuniões de oração que se fazem nas igrejas evangélicas. Suas palavras fazem nos aproximar ainda mais do Senhor que é o Doador de toda a força e consolação no meio das aflições.

As suas palavras fazem-nos recordar que o Senhor Jesus também passou por experiências semelhantes às nossas e que recorreu, muitas vezes, a esse recurso extraordinário, que é a oração. Lemos que inúmeras vezes Ele se retirou do meio da multidão para um lugar à parte ou no deserto, para ali Se entregar à oração. (Mateus 14.23; 26.36; Marcos 1.35; 6.46; Lucas 6.12; 9.28).

E somos confortados quando nos lembramos de que o apóstolo Paulo nos exorta, dizendo: "Não andeis ansiosas de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições pela oração e pela súplica, com ações de graças" (Filipenses 4.6).

Mas o mais interessante neste hino é que foi ditado por um servo de Deus, um ministro do Evangelho, que era cego! - o Sr. William W. Walford, nascido na Inglaterra. Ele ditou as palavras ao seu colega, o Sr. Thomas Salmon, também pastor de uma Igreja Congregacional, no ano de 1842. Este mandou publicar a letra do hino num periódico, a 13 de Setembro de 1845.

Conta-se que o Sr. Walford era um homem que não possuía grande formação cultural mas que era muito inteligente, e tinha uma memória extraordinária. Diz-se, até, que quando pregava sempre escolhia bem os textos bíblicos e citava os de cor com muita precisão.

Raramente errava na repetição dos Salmos ou nas citações de qualquer parte das Escrituras, quer do Velho quer do Novo Testamento. Conhecia tão bem os fatos bíblicos que ganhou a fama de saber a Bíblia inteira de cor.

Com o decorrer dos tempos o hino foi traduzido em outras línguas e, em português temos, com algumas alterações, no "Aleluias", a tradução da Sra. Sara P. Kalley; no "Hinário Evangélico" (91 ), a do Sr. T. R. Teixeira e em "Hinos e Cânticos" (287).

A música, muito apropriada para as palavras, é de autoria do Sr. William B. Bradbury (1816-1868) que a compôs em 1859. O Sr. Bradbury tornou se muito conhecido, também, como fabricante de pianos e outros instrumentos musicais.

“O valor da oração não consiste em pedir, mas, sim, naquela sublime experiência que está ao alcance de qualquer alma - a comunhão com Deus.” (Harry Emerson Fosdick)

“Tenho sempre tanta coisa para fazer, mas só posso desobrigar-me dessas árduas tarefas após prolongado período de oração.” (John Wesley)

“Um cristão de joelhos vê mais que um filósofo na ponta dos pés” (Toplady).





BENDITA A HORA DE ORAÇÃO

Bendita a hora de oração,
Que acalma o aflito coração,
Que leva ao trono de Jesus
Os rogos para auxílio e luz!
Em tempos de cuidado e dor
Refúgio tenho em meu Senhor;
Vencendo o ardil e a tentação,
Bendigo a hora de oração.

Bendita a hora de oração,
Quando em fervente petição
Sobe ao benigno Salvador,
Que atende à voz do meu clamor!
Jesus me ordena recorrer
Ao seu amor, ao seu poder;
Contente e sem perturbação
Eu busco a hora de oração.

Bendita a hora de oração
De santa paz e comunhão!
Desejo, enquanto aqui me achar,
Com fé constante, humilde orar;
E enfim no resplendo de Deus
Na glória dos mais altos céus,
Lembrar me ei com gratidão
Das horas suaves de oração.