sexta-feira, 9 de abril de 2010

GRAÇAS DOU

Há poucas palavras mais preciosas no dicionário do que “gratidão”. O coração grato é o coração alegre. Não há gratidão maior do que a do coração do crente ao seu amado Salvador. Este hino, que comunica a mais profunda gratidão a Deus, é um dos prediletos da rica hinologia sueca. Na versão original há 4 estrofes que usam a palavra tack (graças) 32 vezes! Há gratidão pela vida transformada, pela morte de Cristo em nosso lugar, pelas bênçãos e pelas tristezas, pelo passado e pelo futuro, pelo céu azul e pelas nuvens, pelas rosas e pelos seus espinhos, pela oração respondida e pela esperança que falhou. Todo crente deve decorar este hino e lembrar-se, com o autor, das palavras do apóstolo Paulo: “Em tudo daí graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” ( I Ts 5.18)
O autor August Ludvig Storn escreveu este hino para uma publicação do Exercito de Salvação Sueco do qual era capelão, em 5 de dezembro de 1891. Seu texto apareceu no cancioneiro do Exército, com uma melodia galesa, mas tornou-se realmente popular, tanto na Suécia como nos Estados Unidos, somente quando o compositor John Alfred Hultman, publicou-o no seu hinário Solskenssânger ( cânticos do povo) ,com sua melodia TACK O GUD (Graças a Deus).
August Ludvig Storn nasceu em 23 de outubro de 1862, em Motala, na Suécia. Viveu a maior parte da sua vida em Estocolmo. Storn se converteu na sua juventude, numa reunião do Exército da Salvação. Unindo-se a suas fileiras, logo se tornou oficial importante da organização. Embora sofresse uma paralisia na coluna aos 37 anos, que lhe causava muita dor, continuou a cumprir seu ministério até o fim. Não foi com palavras fáceis que Storn expressou a sua gratidão a Deus neste hino. Depois do seu culto fúnebre apareceram as seguintes palavras no periódico do Exército da Salvação Sueco: “Sempre era um motivo de deleite escultar seus sermões bem pensados e articulados.(...) Os versos numerosos que fluíram da sua pena são os melhores que já apareceram nas publicações do Exército.”
Johannes Alfred Hultman,(1861-1942), que escreveu esta melodia em 1910, foi o segundo num triunvirato de hinistas sueco-americanos da Igreja da Aliança (Evangelical Mission Covenant Church). Nasceu numa fazenda pequena em Hjärtlanda, no condado de Smaland, no sul da Suécia. Alfred (como a família o chamava) mostrou muito interesse na música desde pequeno, indo ouvir o órgão numa igreja da cidade mais perto , quando podia. Quando a família imigrou para os Estados unidos em 1869, Alfred e seu irmão se empregaram como vaqueiros, cantando gospel songs, enquanto trabalhavam. Depois de muito esforço e sacrifício, Alfred conseguiu comprar um órgão e seu treino musical começou. Depois da sua conversão, Alfred foi convidado a lecionar na escola e reger o coro da igreja de Fridhem, Estado de Nebraska. Mais tarde, tornou-se o pastor daquela igreja. Voltou aos estudos na Athenium de Chicago, por dois anos, para depois tornar-se um pregador-cantor itinerante viajando pela região central co país. Ordenado em 1900, pastoreou outras igrejas, mas continuava a dar concertos tanto nos EUA como na Suécia, com seu filho, Paul, um pianista talentoso. Tornou-se conhecido como O Cantor dos Raios de Sol, tanto por sua voz como por sua personalidade.Voltou a morar na Suécia em 1909, por quatro anos, mas de volta aos EUA estabeleceu um conservatório. Ativo, até morrer aos 81 anos num concerto, Hultman foi muito mais que um cantor; foi escritor, compositor e publicador. Publicou várias coletâneas de hinos para as congregações suecas, e ajudou a compilar o primeiro hinário oficial da Igreja da Aliança.
Alice Ostergren Denyszczuk traduziu este maravilhoso hino. O maestro João Faustini escreve sobre sua história: "Durante algum tempo Alice cantava Graças Dou em programas evangélicos de televisão em São Paulo, com seu pequeno coral. Como são poucos os hinos de “Ações de Graças” e a melodia é fácil e intuitiva, era natural que logo se popularizasse. Quando estava preparando os originais de Seja Louvado em 1971, procurei-a para que ela me autorizasse a usar a sua tradução feita em 1961, para sua inclusão neste novo hinário. pelo Trabalhamos juntos por alguns minutos tentando melhorar uma acentuação e outra."


GRAÇAS DOU

Graças dou por esta vida,
Pelo bem que revelou.
Graças dou pelo futuro
E por tudo que passou.
Pelas bênçãos derramadas,
Pelo amor, pela aflição.
Pelas graças reveladas,
Graças dou pelo perdão.

Graças pelo azul celeste
E por nuvens que há também.
Pelas rosas do caminho
E os espinhos que elas tem.
Pela escuridão da noite
Pela estrela que brilhou.
Pela prece respondida
E a esperança que falhou.

Pela cruz e o sofrimento
E também ressurreição
Pelo amor que é sem medida
Pela paz no coração.
Pela lágrima vertida
E o consolo que
É sem par.
Pelo dom da eterna vida
Sempre graças hei de dar!





quarta-feira, 7 de abril de 2010

SENHOR EU PRECISO DE TI

Eu procurava a história deste hino há muito tempo, sem êxito.
Dia destes encontrei esta interpretação maravilhosa e resolvi compartilha la. Espero que gostem!
“Eu creio, Senhor, na divina promessa. Vitórias já tive nas lutas aqui. Contudo é muito certo que a gente tropeça: por isso, Senhor, eu preciso de Ti.” Assim começa o hino cuja poesia é do pastor metodista Rev. Antônio de Campos Gonçalves. Conforme as Notas Históricas do Hinário para o Culto Cristão, o autor escreveu: “este hino assinala a tremenda e insubstituível dependência de Deus; dependência mística, dependência física, dependência salvífica, dependência moral, dependência espiritual e dependência escatológica”. O poeta reconhece que o dependente não é um inútil, um incapaz, uma pessoa sem realizações. De fato, ele afirma “vitórias já tive nas lutas aqui”. Contudo ele contrapõe as suas realizações afirmando que “é mui certo que a gente tropeça”. De fato, dependemos de Deus não apenas para alcançar vitórias, mas também para superar os fracassos. Assim, o poeta fala de triunfos e derrotas eventuais e da necessidade constante da ajuda de Deus.
O dependente é a pessoa que não dispõe de recursos para promover a sua subsistência, é aquele que vive à custa de outra. É o que reconhece o autor na segunda estrofe: “A luz que me guia no escuro caminho, fulgura de cima, do Sol criador. Contudo, não posso segui-lo sozinho: Por isso eu preciso de ti, meu Senhor”. Aqui ele se reconhece como subordinado. Ele conhece o caminho e vê que é tenebroso, sombrio, algo misterioso, nada fácil. No entanto, a luz vai ocupando o lugar do escuro, dando cores ao cinzento, tornando tudo mais claro e compreensível. Porém, mesmo com toda esta iluminação, ele sente que não pode seguir o caminho sem a ajuda de Deus. Realmente, o caminho de Jesus é para ser caminhado com Jesus. Ele é a luz e o caminho.
Corajosamente, na terceira estrofe, o poeta confessa que “Bem sei que nas preces eu posso buscar-Te” e abre um parêntesis para declarar que“Jamais dessa bênção na vida eu descri”. Em todas as estrofes há uma expressão (contudo) que coloca lado a lado pensamentos contrários. Ou seja, ele reconhece o valor da oração, porém confessa antecipadamente que “contudo, é possível que dela me aparte: Por isso, Senhor, eu preciso de Ti. A vida do cristão é assim mesmo. Oscilamos entre a dependência extrema e a arrogância de quem se sente apartado de Deus, livre para tomar conta de sua própria vida. Movemo-nos entre o estado de necessidade, que se sublima nas orações fervorosas e confiantes, e a disposição para tudo fazer sem a ajuda de ninguém, nem sequer de Deus.
Finalmente, a música composta pela profa. Henriqueta Rosa Fernandes Braga assume o seu papel de nos contristar e nos levar a tomar uma decisão. Esta melodia singela e triste foi composta pela regente e organista do coral da Igreja Evangélica Fluminense (tive o privilégio de ser apresentado à irmã Rosinha, primeira mulher a receber diploma universitário em Música no Brasil, como professora de Piano e Regência). Ela era descendente dos pioneiros do trabalho presbiterianoem São Paulo e da missão do Rev. Kalley no Rio de Janeiro e deles recebeu o conhecimento das dificuldades do caminho cristão. Deste modo, imagino que os sentimentos expressos na quarta estrofe foram decisivos para a composição musical. “Esforços da terra, precário destino, empenho dos homens, riqueza, o que for, não valem a bênção do reino divino: Por isso eu preciso de Ti, meu Senhor.”. Assim, a precariedade dos esforços e recursos é sobrepujada pela bênção do Reino de Deus do qual somos súditos e herdeiros.
pr. Salvador
EU PRECISO DE TI, MEU SENHOR
Eu creio, Senhor, na divina promessa.
Vitórias já tive nas lutas aqui.
Contudo é muito certo que a gente tropeça:
por isso, Senhor, eu preciso de Ti.

A luz que me guia no escuro caminho,
fulgura de cima, do Sol criador.
Contudo, não posso segui-lo sozinho:
Por isso eu preciso de ti, meu Senhor.

Bem sei que nas preces eu posso buscar-Te.
Jamais dessa bênção na vida eu descri.
Contudo, é possível que dela me aparte:
Por isso, Senhor, eu preciso de Ti.

Esforços da terra, precário destino,
empenho dos homens, riqueza, o que for,
não valem a bênção do reino divino:
Por isso eu preciso de Ti, meu Senhor