quarta-feira, 1 de setembro de 2010

QUÃO GRANDE ÉS TU





Letra e Música: Carl Boberg 1859-1940)

Esta história começa na Suécia. Carl Boberg nasceu em Monsteras, na Costa sudoeste da Suécia, em 16 de Agosto de 1859. Seu pai era carpinteiro num estaleiro de navios, e sua casa dava bem para o estuário do rio Monsteras. Carl converteu-se aos 19 anos de idade. Num certo domingo, quando ia para a reunião, encontrou-se com alguns jovens pouco mais velhos do que ele, os quais insistiam para que fosse jogar em sua companhia e de algumas garotas amigas. Carl, que esperava encontrar, na reunião, o pregador que anteriormente tinha tocado profundamente em seu coração, e, não querendo perder o seu novo sermão, não aceitou o convite dos amigos.
A mensagem do pregador, naquele domingo, sobre o pecado e a graça foi direta ao coração de Boberg. Após a reunião, todavia, vagueou de um lado para outro sob profunda convicção de pecado, a tal ponto que, ao chegar a uma campina, caiu de joelhos e confessou-se um pecador irremediavelmente perdido. Nesse estado de espírito buscou o perdão, orando dia e noite, até que, ouvindo um menino tentando aprender de cor o versículo de João 14.13, que diz: "Tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei", a sua constante repetição fez com que ele compreendesse a verdade e assim encontrasse perdão e paz, simplesmente aceitando as palavras de Cristo.
Quatro anos mais tarde, no verão se 1885, Boberg escreveu o poema "O Store Gud", que conhecemos agora como "Quão Grande és Tu", e que foi publicado pela primeira vez em "A Folha de Monsteras", no dia 13 de Março de 1886. De 1890 até 1916 Boberg foi editor de um semanário cristão, "Testemunho da Verdade". De 1911 até 1924 foi representante de sua cidade no Parlamento Sueco. Sofreu, porém, um derrame em 1937, que paralisou o seu lado direito, vindo a falecer em 1940.
Naquele dia quente de verão de 1885, Carl Boberg e outros da sua cidade foram a uma reunião que se realizaria a duas milhas ao sul de Monsteras. De volta para casa, desabou uma tempestade; os raios riscaram os céus e os ventos sopraram sobre as plantações. Em apenas uma hora a tempestade cessou e o arco-iris apareceu! Chegando em casa, Boberg abriu a janela e viu o estuário que ficava em frente à sua casa, como se fosse um límpido espelho. Repetiu, então, baixinho, os versos de Nicander: "Bem vinda, ó brilhante tarde; Bem vinda, calma e linda".
Da outra banda do rio ouviu o canto dos pássaros no bosque. Tinha havido um funeral naquela mesma tarde e, de longe, podia ser ouvido o repicar dos sinos, na quietude daquele entardecer. A atmosfera e a beleza da paisagem tocaram a mente poética de Boberg e ali encontrou expressões para escrever o hino que hoje conhecemos come "Quão Grande és Tu".
Em 1891, Boberg, sendo editor de um daqueles periódicos, publicou o seu hino com aquela música.
É interessante notar que já em 1910 este hino havia sido traduzido para o português, pelo ilustre hinólogo Dr. João Gomes da Rocha, tradutor de inúmeros hinos, e foi publicado no hinário "Louvores", em 1938, pelo Centro Brasileiro de Publicidade Ltda. Esta tradução constava de dez estrofes e coro (Se os Hinos Falassem, Vol.1).
Em 1907 apareceu uma versão em alemão, feita por Manfred Von Glehn, residente na Estônia. Mas em 1927, outro pregador russo, Ivan S. Prokhanoff, conhecido como o "Martinho Lutero da Rússia moderna", publicou uma versão em russo, a qual foi incluída no hinário chamado "Kimvale" (Címbalos), uma coleção de hinos traduzidos de várias línguas.
Em 1923, o inglês Stuart Keene Hine, um dos nossos mais dinâmicos e dedicados missionários, deixou a Inglaterra, a sua terra natal e foi com sua esposa anunciar o Evangelho na Ucrânia.
Ali conheceram a versão russa de "Grandioso és Tu", logo que havia sido publicada por Ivan S. Prokhanoff. O Sr Hine e sua esposa não sabiam, ainda, que o mesmo havia sido escrito originalmente em sueco. Eles apenas recordam-se de que o cantavam em dueto em campanhas evangelísticas.
Na pequena vila mais próxima das montanhas, na qual o autor subiu, ali mesmo ele pôs-se em pé na rua, cantou um hino Evangélico e leu, em voz alta, o capítulo três do Evangelho segundo João. Entre os atenciosos ouvintes que se aproximaram estava o mestre-escola (professor primário) daquela vila russa. Naquele momento foi-se formando uma grande tempestade e, não tendo o missionário onde se abrigar, o professor russo, que se tornara amigo, ofereceu-lhe hospedagem.
Como foram inspiradores aqueles "potentes trovões", ecoando através das montanhas! Foram aquelas impressões que deram origem à primeira estrofe do hino em inglês:

Senhor, meu Deus! Quando eu, maravilhado,
Considero as obras feitas por Tua mão,
Vejo as estrelas, ouço o trovão potente,
O Teu poder demonstrado através de todo o universo:
Então minha alma canta a Ti, Senhor,
Quão Grande és Tu! Quão Grande és Tu!


Prosseguindo, o escritor atravessou a montanha fronteiriça com a Roménia, e lá, nas Bukovinas, (a terra das frondosas faias) encontrou alguns crentes. Juntamente com os jovens, passeou "entre as clareiras dos bosques e florestas" e "ouviu os pássaros cantando suavemente sobre as árvores". Como que instintivamente, todos começaram a cantar o hino "Quão Grande és Tu", traduzido por Ivan S. Prokhanoff, acompanhados de bandolins e violões.
Assim, inspirados parcialmente pela letra em russo e parcialmente pela visão de "todas as obras feitas pela Tua mão", as estrofes seguintes foram surgindo, em inglês!

Quando eu vagueio pelas matas e clareiras na floresta,
E ouço pássaros a cantar nas árvores docemente;
Quando olho desde a grandeza da montanha altaneira
Ouço o riacho e sinto a suave brisa:
Então minha alma.....


Contudo, pouquíssimos daqueles habitantes dos Montes Cárpatos, que viram ao seu redor as maravilhosas "obras das Tuas mãos", sabiam algo a respeito da salvação que aquele mesmo Deus grandioso havia providenciado - a grande obra mencionada na terceira estrofe.
Esta foi inspirado pelo seguinte fato:
Enquanto o missionário distribuía folhetos, de vila em vila, numa distância de 120 milhas, deparou com uma notícia surpreendente: "Há um homem que já possui uma Bíblia, a somente 20 milhas daqui", disse alguém. Esta novidade levou o irmão Hine a dirigir-se à humilde casa dum homem chamado Dimitri. A saudação cristã do missionário causou grande surpresa e alegria ao hospedeiro, pois antes, apenas dois outros crentes o haviam visitado, tendo ousado atravessar aquelas montanhas!
E, como foi que Dimitri veio a conhecer a Cristo? É o que vamos ver em seguida:
Dezenove anos antes, os exércitos Czaristas invadiram os Cárpatos e a vila onde Dimitri morava ficava bem no limite. Na pressa em retirar-se, um soldado russo deixou a sua Bíblia para trás. Porém, ninguém, na pequena vila, sabia ler, e, assim, a Bíblia ficou guardada até o dia da visita do Sr. Hine!
A esposa do Sr. Dimitri foi a primeira a aprender a ler e, como uma criança que está aprendendo as primeiras sílabas, começou a soletrar em voz alta para todos os vizinhos admirados, as palavras de João 3.16: "Por- que Deus a- mou o mun - do de tal ma - nei - ra ...".Lentamente, mas com perseverança, ela soletrava em voz alta, a mais maravilhosa história já ouvida, até chegar ao relato da crucificação, Foi aí que as lágrimas começaram a rolar e, homens e mulheres, com os joelhos dobrados, invocaram a Deus em voz alta!
Cerca de 12 pessoas foram realmente convertidas e o irmão Hine chegou justamente naquele momento e pôde ouvir o clamor de todos juntos, cada um expressando (inconscientes da presença dos demais) a sua profunda admiração por verem, pela primeira vez, a revelação do amor de Deus manifestado no Calvário.
Eis o que diz a terceira estrofe (na versão em inglês):

"E quando penso que Deus não poupando a Seu Filho,
Enviou-O para morrer, - mal posso entender
Que sobre a cruz, suportando de bom grado o meu fardo,
Verteu Seu sangue e morreu a fim de tirar o meu pecado"


A quarta estrofe só apareceu após a segunda guerra mundial, durante a qual a casal Hine teve de transferir a sua residência para a Grã Bretanha. No ano de 1948 o país foi superlotado com a entrada de 100.000 refugiados de guerra, acrescidos aos 165.000 poloneses que lá já se encontravam. Quando um crente vindo de um país soviético foi visitá-los e deu-lhes oportunidade de fazer qualquer pergunta, um deles perguntou, expressando o desejo do coração de todos:

"Quando vamos para o lar?"

Que melhor mensagem poderia ser dada àquelas pessoas sem lar, do que a que anuncia Aquele que foi preparar um lugar para os "desabrigados". o lar celestial oferecido a quantos O receberam como Salvador e Senhor? Um russo foi convertido na Inglaterra e estava profundamente pesaroso por não poder dar a alegre notícia à sua esposa. Esta confessara o Senhor, a quem ele, naquela ocasião, não quis receber, e depois disso eles foram separados por causa da guerra, perdendo totalmente o contacto um com o outro. Agora ele anelava pelo dia "quando Cristo vier e levar-me ao lar", onde ela teria a grata surpresa de encontrar a esposo querido.
Esta confessara o Senhor, a Quem ele, naquela ocasião, não quis receber, e depois disso eles foram separados por causa da guerra, perdendo totalmente o contacto um com o outro. Agora ele anelava pelo dia "quando Cristo vier e levar-me ao lar", onde ela teria a grata surpresa de encontrar a esposo querido.
Inspirada por estes fatos, nasceu a quarta estrofe (na versão em inglês):

"Quando Cristo vier com brado de aclamação
E levar-me ao lar - que gozo encherá meu coração!
Então me prostrarei em humilde adoração
E proclamarei: Meu Deus, quão grande és Tu!"


Nosso irmão Stuart Hine, já idoso, em correspondência com o irmão Luiz Soares, forneceu os dados históricos deste hino tão belo, que se tornou tão popular através da sua excelente versão. O Irmão Hine examinou e aprovou a tradução de "Quão Grande és Tu", feito pelo irmão Luiz Soares para Hinos e Cânticos, onde devidamente autorizada, aparecerá com o número 467. A música trará o arranjo do próprio Hine.

sábado, 28 de agosto de 2010

A importância da música e do louvor na liturgia metodista

Sendo Liturgia e Música os assuntos centrais desta matéria, em primeiro lugar creia que o Espírito Santo quer que você esteja a Seu serviço na sua Igreja Local.
Desde os tempos antigos o ser humano buscou formas de entrar em contato com Deus e agradar o Seu coração. Criou expressões corporais (danças, inclinações, prostrações...), utilizou elementos da natureza (flores, plantas, animais), formulou palavras, frases ou discursos e pôs tudo isso a serviço da celebração da vida e do Criador, e em toda sua existência, a música tem sido uma grande companheira destas celebrações. Celebrar significa, dar importância, festejar em massa, realizar uma ação solene, honrar, exaltar, cercar de cuidado e de estima. O ser humano é celebrativo por natureza. As pessoas se reúnem para celebrar aniversários, conquistas, promoções no emprego, aprovação no vestibular, formatura, vitórias esportivas etc. Os povos de todos os tempos e culturas possuíam e possuem ritos festivos para celebrar momentos centrais da vida. Muitas dessas celebrações são ritos religiosos ligados ao nascimento, adolescência e casamento. Deus se agrada de celebrações que engrandeçam o Seu nome e é por esse motivo que nossos cultos metodistas devem conter liturgias criativas, que possuam um aparato musical bastante rico, com hinos, cânticos avulsos, louvor congregacional, corais, solos, danças, e se possível, orquestras.
O povo chamado Metodista é pioneiro quando se fala em hinologia cristã. A palavra "liturgia" significa originalmente "obra pública", "É o conjunto de ritos, orações, "e cantos do culto público" que a Igreja presta a Deus, e que é determinado ou reconhecido pela autoridade eclesiástica competente. Carlos Wesley, um dos fundadores do movimento metodista foi o maior hinista da história cristã com aproximadamente 6.500 composições, e a tradição litúrgica daquela época, estava literalmente inserida em suas celebrações. Eles utilizavam os mecanismos que possuíam em mãos na época, para abrilhantar seus cultos.
Na tradição cristã, a liturgia mostra que o povo de Deus toma parte na "obra de Deus". Pela liturgia, Cristo, nosso redentor e sumo sacerdote, continua em sua Igreja, fazendo a obra de nossa redenção. A liturgia também é um diálogo entre Deus e seu povo. Esse era o pensamento dos fundadores do movimento metodista John e Carlos Wesley. No ano de 1730, quando surgiu oficialmente em Oxford, Inglaterra, o chamado "Clube Santo". João e Carlos Wesley, William Morgan e Bob Kirkham começaram a reunir-se para estudarem e cultuarem ao Senhor. Chegaram a organizar uma pequena sociedade em suas reuniões. Certamente eles também cantavam variedades de hinos ao Senhor tendo em vista o dom de compor hinos que Carlos Wesley possuía. Obviamente eles entendiam que a liturgia era uma expressão de fé. Jesus tendo fixado sua morada entre nós, revelou-nos quem é o Pai e ensinou-nos a comunicar-nos com Ele e louva-lo utilizando meios diversos de adoração inseridos em uma liturgia.
A variedade musical de nossas igrejas chegou a um nível de pobreza bastante acentuado. Hoje em dia quase não encontramos mais coros mistos quartetos, duetos, corais jovens, corais masculinos e femininos. Hoje, só se fala em louvor. Isso é muito bom, mas entendo que não é somente isso que Deus quer de nós. O Senhor é um Deus bastante criativo. Ele fez o mundo repleto de variedades na fauna, flora etc. Ele exige de nós um prefeito louvor. Um louvor variado. Não discriminatório. Um louvor agradável aos Seus olhos. O grande erro desse modismo musical, é que os dirigentes de música das igrejas locais abraçaram um estilo musical e desprezaram em gênero número e grau os demais.
A parte musical da liturgia do culto de uma igreja local pode ser renovada, contendo muitas variedades musicais que venham agradar a todos os membros; carismáticos, progressistas e tradicionais.

HINOS: A utilização de hinos avulsos e do Hinário Evangélico pode ser feita, porém com uma roupagem moderna, sem retirar a tradição de suas composições. Nosso Hinário Evangélico possui um acervo maravilhoso de hinos belíssimos. Podemos selecionar os melhores e aplicá-los no culto. Não podemos obrigar nossos irmãos, antigos fundadores de nossas igrejas locais a se adaptarem com os sons barulhentos e de nossas baterias que, na maioria das vezes são mal tocadas. Permitamos que esses amados irmãos também tenham os seus momentos de fé, contrição e enlevo espiritual no culto.

RITMOS: É essencial a utilização de louvores com ritmos variados na parte musical do culto. Se faz necessário que aprendamos a selecionar um repertório aprazível ao público e principalmente ao Senhor.

ANDAMENTOS: Essa parte é mais voltada para o baterista. Ele deve procurar tocar os cânticos com os seus andamentos originais.Não deve puxar para mais ou para menos. Deve
fazer o que está escrito. Os andamentos musicais são classificados em 3 espécies: Vagarosos, Lentos e Apressados (ou Rápidos). Os andamentos Vagarosos são: Grave, Largo, Lento e Adágio. Os andamentos Lentos são: Andante, Andantino, Larguetto, Alleg
ro, Marcial, Minueto, Scherzo, etc. Os andamentos Rápidos são: Alegro, Allegro Vivace, Presto e Prestíssimo: Para marcar os andamentos musicais o aparelho mais usado é o Metrônomo de Maezel.

GRUPOS MUSICAIS: O Coordenador do Ministério de Música e Louvor da igreja local deve usar de criatividade e organizar grupos musicais, tais como duetos, quartetos, corais jovens, adultos, solos. Isso enriquece a liturgia do culto e retira um pouco daquela mesmice de uma igreja cantar dez corinhos e ficar uma hora de pé todos os domingo, e nada mais.

BANDAS/ORQUESTRAS: Se a igreja Local tiver condições, organize bandas, Big Bands, Orquestras, Bandas Gospel. Seria mais uma opção para abrilhantar a liturgia do culto.

INSTRUMENTOS MUSICAIS: Se puder, utilize uma variedade de instrumentos musicais; não fique preso somente no teclado, bateria, guitarra e contrabaixo elétrico. Já pensou em utilizar no seu Ministério de Louvor uma trompa, um violino, viola, violoncelo, contrabaixo de cordas, clarineta, flauta doce ou transversal, um violão acústico. Crie um
nipe de metais: saxofone, trompete, trombone. São instrumentos de boa aceitação.

BACK VOCAL: Na ministração do louvor, líder deve criar no seu grupo um back vocal, dividir as vozes, trabalhar bem a questão da dinâmica, procurando melhorar a cada passo a qualidade vocal de seus cantores.

TEMPO DOS CÂNTICOS: Não deve demorar muito na ministração dos louvores. O
ministro deve selecionar cânticos que tenham a ver com o momento do culto.

ALTURA DOS INSTRUMENTOS MUSICAIS E MICROFONES: O técnico de som deve regular bem o instrumental, vocal e back vocal. Ele não deve se esquecer de que existe uma vizinhança nas proximidades da igreja. Deve aumentar o som o suficiente para que a igreja ouça com nitidez.

Creio que, com esse artigo percebeu-se o quanto que, a execução de uma boa música enobrece a liturgia de um culto metodista. Por isso, amado pastor, invista na qualidade musical de sua igreja local. O nosso povo chamado Metodista e, principalmente o Senhor Jesus, merecem.



Rev. Edson Mudesto é pastor coadjutor na Igreja Metodista de Ricardo de Albuquerque, Ministro de Louvor, regente da Big Band e professor de música (edmud@uol.com.br).